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Artigo: A depressão e a identidade masculina

A depressão e a identidade masculina

A depressão e a identidade masculina

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A época em que vivemos evidencia a ausência de homens identificados com o poder capaz de organizar a sociedade, desde a sua célula principal, a família, até as instituições que governam a sociedade como um todo. Um dos motivos que expos está carência foi a necessária e relativa libertação da mulher, marcada pelo auxílio da tecnologia aliada ao seu próprio esforço para conquistar seu progresso. Ante esta mulher mais bem informada, capaz de gerar seus próprios recursos, o homem se perdeu, pois, o modelo até então que imperava nas relações, há milênios, era patriarcado, cujos resquícios ainda encontramos nas sociedades por mais moderna que seja. Aquelas mais primitivas, onde a mulher não passa de um objeto, não vamos considerar neste caso para entender no fenômeno da crise de identidade masculina que assola o mundo, determinando um desperdício de recursos e ameaçando a sustentabilidade.

Antes de construir a ideia básica que quero compartilhar, preciso esclarecer minimamente como compreendo o arquétipo, uma vez que, algumas palavras quando entram em uso corrente, as vezes perdem seu sentido original. Entendo o termo arquétipo como sendo uma unidade primordial da criação. Por exemplo, as capacidades inatas do pássaro para migrar e a do peixe para nadar, não foram produzidas por eles, mas fazem parte da condição de ser pássaro e peixe. Portanto consideremos, de uma forma bem simples, como “entidades” autônomas que residem na nossa mente inconsciente e influenciam toda nossa vida, material emocional. Todo nosso equilíbrio, sucesso ou fracasso é determinado pelo modo como lidamos com nossos arquétipos. Segundo Robert A. Johnson (Imaginação ativa Pag. 16: “No inconsciente de cada um está o padrão primevo, o projeto, o “plano”, se assim podemos chamá-lo, segundo o qual a mente consciente e a personalidade funcional completa são formadas – desde o nascimento, através dos lentos anos de crescimento psicológico, até a maturidade interior genuína. Esse padrão, essa teia invisível de energia, contém todas as características todas as forças, as falhas, a estrutura básica e as partes que constituirão o ser psicológico total. Na maioria de nós, só uma pequena porção deste depósito de energia bruta foi assimilada na personalidade consciente. Só uma pequena parte do “plano”, do projeto original, foi concretizada a nível consciente.

Para a maioria das pessoas que ignoram a mente inconsciente por nunca terem interagido com ela, a ideia de possuirmos “entidades” internas, as quais vivem dentro de nós, a nossa revelia, sem nenhum compromisso com nosso bem estar, soa como algo louco em que não se pode acreditar, entretanto é exatamente isso que ocorre e ignorar esta realidade daqui para frente nos torna subservientes aos sistemas de crenças que têm como único objetivo um projeto de poder fundamentado em falsas imagens de sucesso. A parte mais importante a conhecer em nossa mente inconsciente são os traumas geradores dos complexos que impedem nossa autoconsciência e consequentemente nosso crescimento, pois originam-se em “programas” que não são originalmente nossos, mas daquelas primeiras referências responsáveis por nossa infância. A outra parte fundamental que precisamos conhecer, e é sobre isso que escrevo agora, são os arquétipos, para que possamos usar todas as suas energias e inteligência a serviço da nossa personalidade.

Os arquétipos do masculino foram bem representados em quatro papéis que advêm dos arquétipos primordiais do Pai e Mãe cósmicos, os quais me proponho a comentar, pois o desconhecimento deles gera todo tipo de desperdício e luta que me referi acima, são eles: O Rei, Guerreiro, Mago e Amante, cada um com sua função dentro da psique que quando não admitido pela personalidade produz várias desordens na vida, manifestando seu lado sombrio. Como tudo que tem poder e existência por si mesmo possuem aspectos positivos e negativos que na verdade são partes de uma mesma realidade. Com frequência, esta polaridade apresentada pelos arquétipos, tal qual um circuito elétrico, para que tenha atividade, movimento, se organiza em seguida como uma quaternidade, com dois opostos cruzando-se, como por exemplo os quatro elementos básicos da criação, água, terra, fogo e ar. A terra (masculino) é alimentada pelo elemento água (feminino); enquanto o fogo (masculino) é alimentado pelo ar (feminino), e assim tudo que existe é governado por essa oposição de opostos, digo isso para explicar mais adiante a importância fundamental do elemento feminino (ânima) na construção da identidade masculina, hoje desconhecida e desprezada pelo homem.

O principal arquétipo que governa o homem é o arquétipo do Pai, que advém da ideia universal de um criador. Por exemplo, em todas as culturas e em todos os tempos, há uma crença geral na existência de uma entidade primordial criadora que combateria todos os males. Essa ideia utópica é responsável por todo tipo de domínio e ilusão por que passa a humanidade como um todo, nos moldes da trilogia “Matrix” ou, ainda, nos moldes que o socialismo fará justiça a todos, transformando a terra num paraíso, mas todos sabemos que quando os socialistas tiram a elite do poder, eles também se transformam na elite e comete crimes piores. Então voltando ao início do texto lembramos da falta de verdadeiros líderes identificados com o poder. O arquétipo do Pai é constelado pelos quatro arquétipos já citados, que determinam o desempenho do homem no mundo: O Rei, Guerreiro, Mago e Amante.

O Rei é o coordenador de todos os outros arquétipos e possui também um pouco das qualidades e sombras de cada um deles. Duas qualidades caracterizam em sua plenitude: A justiça e a compaixão, no exercício pleno de sua potencialidade. Com essas qualidades o homem governado pelo arquétipo do rei consegue que cada um dê o melhor de si. Ex. Os grandes reis que criaram grandes civilizações, como Salomão, Davi. Os grandes homens que organizaram nações inteiras, tirando-as da ignorância e exploração, como Mandela, Gandhi, Kennedy e muitos outros.

Os aspectos sombrios do rei apresentam como toda polaridade duas características distintas, a sombra positiva quando o homem tem poder, mas não reúne as qualidades da plenitude, justiça e compaixão, tornando-se o tirano, tipo bem conhecido nos dias atuais ante a corrupção institucionalizada e os governantes violentos que matam seus concidadãos com seu próprio exército a fim de se manter no poder. Por outro lado, o aspecto negativo da sombra do rei é o homem covarde, omisso e enganador, afeito à mentira e dissimulação.


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Autor: Dr. Osmar
Fonte: blogdoosmar.com.br
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DR. OSMAR FRANCISCO DOS SANTOS

SOBRE O DR. OSMAR

Psicólogo junguiano transpessoal, fundador do Instituto Holístico do Saber, membro participante do Núcleo de Estudos Junguiano do Rio de Janeiro, experiente conhecedor da psique humana através da sua ampla atuação em psicologia clínica, individual, em grupos de formação e em grupos terapêuticos.

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