BLOG DO OSMAR

Artigo: Inteligência do coração - novo patamar do desenvolvimento humano

Inteligência do coração - novo patamar do desenvolvimento humano

Inteligência do coração - novo patamar do desenvolvimento humano

0

No texto da semana passada, falamos sobre a consciência como fator relevante para a qualidade de vida. Neste texto falaremos como a inteligência do coração está relacionada ao desenvolvimento da consciência de si mesmo e como ela pode nos afastar de uma luta contínua, a qual julgamos ser necessária à vida. A própria literatura, na obra de Gonçalves Dias, Juca Pirama, consta que: “...A vida é um combate que aos fracos abate e os fortes e os bravos só faz exaltar...”. Quando um eufemismo, uma verdade relativa vira sentença, passamos a repeti-la como se contivesse toda a verdade. Não é válida essa sentença poética quando nos referimos à inteligência do coração.

Hoje a ciência diz que temos na realidade três cérebros, o cérebro conhecido, que mantém várias funções de controle da vida; o cérebro do coração, que de acordo com a ciência possui cerca de quarenta mil neurônios (células nervosas), que entre outras funções possui a capacidade de raciocínio, e o cérebro do intestino, onde são fabricadas as endorfinas. Nosso equilíbrio depende do funcionamento e harmonia desses três cérebros. O interessante é que o coração começa a pulsar no feto antes do cérebro se formar. Os cientistas descobriram ainda que nossos batimentos cardíacos não são meras pulsações mecânicas de uma bomba diligente, mas uma linguagem inteligente que influencia de modo significativo a maneira como percebemos o mundo e como reagimos a ele.

No aspecto da inteligência do coração, me recordo de uma frase de Sant Exupéry, o autor do livro O Pequeno Príncipe onde ele diz: “...Só se vê bem com o coração, o essencial é invisível para os olhos”. Após abordarmos uns poucos aspectos da Fisiologia e da Literatura, o objetivo principal é destacar aspectos psicológicos advindos da inteligência do coração, bem como a sua fundamental importância para nossas vidas, sobretudo nesses tempos de profundas mudanças pelas quais passamos. Sei pelas experiências da prática psicoterápica que quem cuida de acessar a inteligência do coração consegue, em muito pouco tempo, uma ressignificação profunda da vida, pois a principal característica do coração é não julgar, mas ser capaz de construir uma ponte entre o céu e a terra. Ele consegue reconhecer a unidade subjacente entre energias contraditórias e construir uma relação de harmonia entre essas energias. Isso, de fato, ocorre porque a função da Luz não é combater as trevas ou transformar o mal em bem; luz e trevas; bem e mal, são opostos naturais, uma existe graças a outra. A verdadeira alquimia espiritual introduz uma terceira energia criada pela consciência da polaridade que abrange tudo que existe.

Jung no texto “Em resposta a Jó” escreve que “Todos os opostos são de Deus e o homem deve curvar-se a essa realidade, e, assim fazendo, descobrirá que Deus, em seu caráter de oposição de opostos apossou-se dele. Ele torna-se então, um vaso preenchido pelo conflito divino. Deus atua a partir do inconsciente do homem e o força a interagir a partir das imagens que vem de seu inconsciente”. Essa ideia é, de certa, forma contrária ao que geralmente prega as religiões.

No Livro Vermelho, onde constam todas as experiências de Jung em relação ao inconsciente, certo trecho – essa parte escrita em 1913 - diz que o espírito da profundeza ensinou que as nossas ações e decisões dependem de nossos sonhos – manifestação diária de nosso inconsciente – momento em que ele, Jung, questiona como saber o significado dos sonhos, entender a sua linguagem, questão que foi respondida que o significado dos sonhos não estão em nenhum livro, nem na boca de nenhum professor, mas nasce de nós como o grão verde nasce da terra preta, pois a intuição está onde o saber erudito não está. No mesmo trecho, Jung questiona como obter o saber do coração, ao que é respondido que: só poderás obter o saber do coração vivendo e pensando o que não foi vivido e pensado – isso carece de ser explicado mais à frente. Agora é necessário citar uma parte realmente polêmica do texto quando Jung ouve do espírito da profundeza que o saber do coração é como seu coração é: de um coração bom conhece-se coisas boas; de um coração mau, conhece-se coisas más; para que nosso saber seja completo, devemos considerar que nosso coração é mau e bom ao mesmo tempo. Nesse ponto Jung questiona se devemos viver também o mal, ao que é respondido: o que ainda precisa ser vivido, deve ser vivido...

A questão de viver o que não foi vivido remete aos primórdios da Psicologia como ciência. Freud fala sobre a repressão, tudo que não é resolvido é reprimido no inconsciente, dando origem ao que chamamos complexos. À medida que aumenta o material reprimido, menos espaço tem a personalidade para gerir a vida. Os complexos constituem a prioridade principal a ser observada nas terapias, pois após reprimidos, ganham autonomia e interagem com a mente consciente, perturbando sua ação. Como o acesso ao coração ocorre apenas no silêncio da mente lógica, fica difícil para ela silenciar através da tagarelice mental dos complexos. Para maioria das pessoas o hábito de meditação produz efeitos efetivos na busca do silêncio mental.

James Hillman, um dos mais importante seguidores de Jung, faz uma comparação entre


... CONTINUE LENDO
Autor: Osmar Santos
Fonte: Osmar Santos
COMPARTILHAR

VOCÊ TAMBÉM PODE GOSTAR!


BLOG DO OSMAR

Últimas Postagens

ARTIGOS DO BLOG

Destaques

Confira nossos artigos em destaques

DR. OSMAR
DR. OSMAR FRANCISCO DOS SANTOS

SOBRE O DR. OSMAR

Psicólogo junguiano transpessoal, fundador do Instituto Holístico do Saber, membro participante do Núcleo de Estudos Junguiano do Rio de Janeiro, experiente conhecedor da psique humana através da sua ampla atuação em psicologia clínica, individual, em grupos de formação e em grupos terapêuticos.

SAIBA MAIS
DR OSMAR

Fale com o Dr. Osmar!

Envie suas dúvidas através de nosso site.