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Artigo: A PÓS-MODERNIDADE EXIGE UMA RENOVAÇÃO NA IDENTIDADE

A PÓS-MODERNIDADE EXIGE UMA RENOVAÇÃO NA IDENTIDADE

A PÓS-MODERNIDADE EXIGE UMA RENOVAÇÃO NA IDENTIDADE

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Ante mudanças tão profundas e vertiginosas, como as quais lidamos nesses tempos modernos, sobre as quais tenho escritos nos últimos textos, é natural que tenhamos muitas dúvidas sobre quais caminhos tomar, e mais ainda, enfrentar as naturais consequências dessas necessárias mudanças ou permitir que elas passem sobre nós. São questões inevitáveis que exigem de todos nós atitudes, uma vez que não está em nossas escolhas tais mudanças. Compreender tais mudanças é o que nos cabe, pois nossas atitudes nos definem perante o mundo.

A necessidade de busca de uma nova identidade pode, em alguns casos, nos levar a comportamentos e atitudes disruptivas, sem sentido lógico. Por exemplo, entendemos que devemos marcar nossos corpos com tatuagens e pirces, submetê-lo a intervenções cirúrgicas às vezes violentas, nele amputando partes e introduzindo preenchimentos artificiais e toxinas para corrigir a ação natural do tempo, além de vestir roupas rasgadas e desbotadas, pois isso nos coloca dentro de uma exigência de atualização coletiva. Nos sentimos incluídos. A esse respeito é importante citar o que diz Jung: “...Quanto mais você se apega ao que todo mundo deseja, mais você é um homem qualquer, o qual ainda não se descobriu, e tropeça pelo mundo como um homem cego conduzindo outros cegos para o fosso de uma certeza sonambúlica. Um 'homem qualquer' é sempre multidão. Retire do seu interesse coletivo que se apega a tudo como uma lepra...”

Necessário esclarecer que Jung se refere ao enxofre, uma linguagem alquímica para se referir à emoção. Nunca é demais lembrar que esses costumes não devem ser compreendidos como críticas que estão carregadas de juízo de valor, ou seja, julgamento, mas devem ser analisadas sob o ponto de vista fenomênico simplesmente com o objetivo de entender seu funcionamento. Assim sendo, a visão fenomênica não inclui julgamento, pois cada um tem a liberdade de viver a sua maneira. Quando não gozamos de uma autoestima ela tem sempre sua origem numa necessidade sobre a qual podemos não ter consciência, neste caso, projetamos nossas expectativas nos outros, e mesmo que quiséssemos não poderíamos atendê-las, pois não é seu programa, então nossas projeções poluem a atmosfera psíquica de outras pessoas.

Um conflito psíquico somente pode ser curado se ele voltar para a psique daquele que o projetou, onde ele teve início em seu inconsciente. Acontece que o programa de sobrevivência da personalidade inclui uma prepotência de saber, digamos, de certa forma, necessária às exigências básicas da vida. Porém, essa prepotência da personalidade nos impõe restrições a novas aprendizagens, o que nos primórdios da Psicologia como ciência foi identificado por Freud como resistência à mudança.

O modo de resolvermos nossa sombra, o que foi reprimido para proteger o desmanche da personalidade, não é ignorá-la, em primeiro lugar, é perceber que o que estamos fazendo pode ser questionado, pois inicialmente nos encontramos num estado de inocência, ou melhor ignorância; amamos isso e odiamos aquilo, não surgindo nenhuma questão a respeito do quanto isso é adequado ou não. A partir do momento em que refletimos, não somos mais inocentes ou ignorantes, não vale mais aquela questão: perdoai-os, pois eles não sabem o que fazem. Assim, poderíamos odiar isto ou aquilo porque são muito ruins, mas nós também não nos sentimos muito bem quando odiamos, então talvez estejamos sendo até ruins no ato de odiar e, talvez, não seja tão diferente da maldade que nós estamos odiando na outra pessoa.

À medida que estas questões começam a surgir, então, como diz Jung, começamos a comer nossa própria carne e beber nosso próprio sangue. Desta forma recuperamos as energias desviadas, colocando-as novamente à disposição da psique. Lidar com o material reprimido nunca é se autoflagelar. Se temos a convicção que a forma mais efetiva de transformar o mundo é transformar uma pequena parte dele, ou seja nós mesmos, até que isso não seja completamente realizado, não deveríamos tentar transformar o mundo externo – a menos que nossos papeis estejam lá.

A projeção da sombra coletiva também pode explicar a grande popularidade de filmes e romances de terror, assim como as festas com as músicas enlouquecidas regadas a drogas e, ainda as lutas de arena onde os competidores socam o adversário até sangrar em busca de fama e dinheiro sob a assistência de uma plateia ensandecida e numerosa, dão o nome de esporte assim como as festas são diversão. As crianças começam a apreender os assuntos da sombra ao ouvir contos de fada que mostram a guerra entre o bem e o mal, fadas madrinhas e terríveis demônios. Assim como os adultos, as crianças também sofrem simbolicamente as provações de seus heróis e heroínas, aprendendo assim os padrões universais dos destinos humanos, entendendo de uma forma viciada que a vida é sempre uma luta. Que deveríamos combater o mal e escolher o bem como se ambos não fossem parte de uma mesma realidade que busca o equilíbrio. Sempre digo que a melhor mercadoria para se vender é o paraíso, pois não precisa ser entregue.

Como a sociedade, cada família também constrói seus próprios tabus, suas áreas proibidas. A sombra familiar contém tudo que é rejeitado pela percepção consciente da família, todos os sentimentos e ações que são considerados ameaçadores à autoimagem. A parte mais sombria e perversa que acontece no grupo familiar, com a qual já me deparei muitas vezes no exercício da psicoterapia, são os abusos cometidos contra criancinhas indefesas, em geral praticados por aqueles que deveriam protegê-las. No entanto, em muitos casos, a criança é desacreditada e abandonada na sua dor. Hipocrisia admitida para preservar a unidade e equilíbrio da família. Mesmo quando a vida aparentemente se normaliza na idade adulta, pelo acesso à identidade profissional e relações sociais e afetivas, as marcas dos traumas na infância perduram para sempre.

Por atender vários casos de pacientes que traziam sonhos com crianças abandonadas em visível estado de vulnerabilidade, além de eu mesmo ter vários


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Autor: Osmar Santos
Fonte: Osmar Santos
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DR. OSMAR
DR. OSMAR FRANCISCO DOS SANTOS

SOBRE O DR. OSMAR

Psicólogo junguiano transpessoal, fundador do Instituto Holístico do Saber, membro participante do Núcleo de Estudos Junguiano do Rio de Janeiro, experiente conhecedor da psique humana através da sua ampla atuação em psicologia clínica, individual, em grupos de formação e em grupos terapêuticos.

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