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Artigo: A DOBRA DA HISTÓRIA DA HUMANIDADE

A DOBRA DA HISTÓRIA DA HUMANIDADE

A DOBRA DA HISTÓRIA DA HUMANIDADE

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Há muita polêmica em torno da causalidade dos acontecimentos dos fatos ou se há apenas fatores aleatórios que determinam os acontecimentos. Sabemos que nossa mente inconsciente se manifesta através de nossos sonhos, das obras de arte, criações inventivas e atos falhos que, inadvertidamente, escapam ao nosso controle. A linguagem dos sonhos constrói enredos sem sentido, quando visto pela ótica da lógica; também o artista nem sempre consegue explicar o sentido de suas criações; da mesma forma os inventores criam a partir de ideias de pouca ou nenhuma funcionalidade lógica de seus inventos. As estórias dos sonhos apresentam, também, símbolos que determinam o significado dos sonhos, da mesma forma que transmitem uma mensagem de forma direta como uma logomarca de determinado produto. No sentido de símbolo o número 2020 apresenta a duplicação do número 20 que nas cartas do tarô significa o julgamento. A ocorrência do vírus que gerou a pandemia impôs mudanças profundas no comportamento das pessoas gerando transtornos, mudanças de hábitos e oportunidades, para ressignificar suas vidas, expondo ainda a luta pelo poder entre os que podemos chamar de conservadores e outros que buscam mudanças radicais. É importante compreender o significado dessa polarização considerando apenas o aspecto fenomênico, isto é, sem tomar partido ao observar os acontecimentos, pois a visão ideológica, compromete a compreensão plena da razão por que os fatos acontecem.

Analisando em primeiro lugar as consequências de 2020 sobre cada um de nós, observamos que quando a maioria das atividades pararam, logo que ficamos em casa, fomos levados a experenciar as condições em que vivemos, tanto no aspecto físico, quanto a nossas vidas afetivas íntima e as relações familiares. Alguns relacionamentos entraram em crise por que os parceiros ficaram mais próximos; outros se fortaleceram pela proximidade, crianças e adultos se afastaram presencialmente da escola e do trabalho, perdendo o contato social que alimenta os vínculos de amizade; em muitos a solidão se fez presente, aqueles cuja presença nas empresas e repartições representava a única oportunidade de relação; o medo levou muitos à sentimentos depressivos; indústria, comércio, turismo e tantas outras atividades profissionais paralisaram, empregos foram perdidos, receitas paralisadas, arrecadações interrompidas; fronteiras se fecharam; o medo assombrou a muitos pela perda de seus entes queridos, enfim, poderíamos enumerar tantas outras consequências nas nossas vidas, revelando aspectos positivos e negativos do caráter das pessoas ficaram expostos, em alguns casos houve demonstrações profundas de humanismo e solidariedade, enquanto outros encontraram na crise geral uma oportunidade para levar vantagens espúrias, saqueando os recursos destinados ao enfrentamento da pandemia. Por esse motivo não podemos afirmar, como sempre se diz, que todos são iguais. É, portanto, nos momentos difíceis e, também, nos de grande sucesso que os homens separados; há aqueles que agem pelo cérebro e outros pelo coração, pois não são as perguntas que fazemos que nos identifica no mundo, mas nossas respostas a essas questões.

Enquanto as atividades humanas pararam, também a capacidade poluidora diminuiu acentuadamente, permitido assim que a terra, essa nave cósmica que habitamos, a quem devemos nossos corpos, nossos alimentos e abrigo, pudesse continuar sua marcha em torno do sol, responsável pela vida no planeta, a incríveis cento e dez mil quilômetros por hora, fizesse uma profunda e necessária limpeza em sua superfície. Praias antes poluídas se regeneraram; o ar se tornou mais puro com a diminuição da resíduos industriais. Nossa terra precisava desse tempo da mesma forma que necessitamos de nosso banho. Observando a natureza a nossa volta, vejamos as estações, como elas vêm e vão por si mesmas; as plantas e os animais em sua vida diária, o sussurro do vento e o murmúrio das águas, concluímos que as coisas mais importantes da vida acontecem automaticamente quando a natureza segue seu curso, ela cria um movimento constante que é a própria vida, nesse movimento ela destrói e constrói, como numa floresta milenar onde as plantas nascem, crescem e morem, assim como os animais que, na chamada cadeia alimentar, os mais poderosos devoram os mais fracos, mas o equilíbrio prevalece enquanto a ação humana não interferir. Todos, plantas e animais se entregam à vida desapegando do controle. Muitas vezes chegamos à crise, uma situação em que ficamos presos, o que nos resta e liberar o controle, pois não temos mais o domínio sobre as coisas a nossa volta. Pensamos que estamos perdidos nos afogando no caos, mas na verdade estamos nos aproximando da segurança do Ser que é nossa verdadeira identidade interior. Desapego não é literalmente não ter nada como muitos pensam; desapego é poder desfrutar de tudo sem ter a necessidade de possuir nada. Geralmente essas crises parecem cruéis e injustas, mas sempre trazem consigo o convite da natureza – ou se quiser, o convite de Deus – que nos diz: Venha para casa, volte para mim”. Existe uma mão orientadora na crise, que procura nos amparar e nos mostrar o caminho.

Nunca é demais falar sobre ambivalência das crises tão comuns em nossas vidas, a falada expulsão do paraíso na história da criação do homem descrita no Gênese. Nietzsche em Assim Falou Zaratustra disse que o que não nos mata nos fortalece. Isso depende como vamos resolver nossas crises, quando nos responsabilizamos por elas, conseguimos crescer. Como vamos agir depende de nossa consciência que, em texto anterior, descrevi como sendo a consciência como tendo dois aspectos, o lógico que precisamos para administrar nossos papéis e a consciência da existência de uma mente inconsciente que não está ligada aos conceitos das coisas e que somente podemos adquiri-la pela interação com o material que ela produz, os sonhos e a prática da imaginação ativa. Muito frequentemente buscamos soluções fora de nós mesmos. Mantemos convicções que nos fazem pensar que não temos força para encontrar nosso próprio


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Autor: Osmar Santos
Fonte: Osmar Santos
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DR. OSMAR FRANCISCO DOS SANTOS

SOBRE O DR. OSMAR

Psicólogo junguiano transpessoal, fundador do Instituto Holístico do Saber, membro participante do Núcleo de Estudos Junguiano do Rio de Janeiro, experiente conhecedor da psique humana através da sua ampla atuação em psicologia clínica, individual, em grupos de formação e em grupos terapêuticos.

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