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Artigo: AS BASES DE MEU CRESCIMENTO – O DESPERTAR EM CINCO ETAPAS

AS BASES DE MEU CRESCIMENTO – O DESPERTAR EM CINCO ETAPAS

AS BASES DE MEU CRESCIMENTO – O DESPERTAR EM CINCO ETAPAS

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TEXTO 01/05 – HABITANTE DE DOIS MUNDOS

Vivemos uma época turbulenta. Ao nos depararmos com as notícias de todos os dias é impossível não nos sentirmos preocupados e perdidos. A abundância de informações que nos chegam por vários canais, tomou conta de nossas vidas. As crianças não conseguem “desconectar”, na verdade não apenas elas, mas os adultos também, ao ponto de a Organização Mundial da Saúde, incluir a dependência dos jogos e redes sociais, um transtorno de comportamento, extremamente prejudicial à vida humana. Nos EEUU já existem clínicas especializadas no tratamento para “desconexão”, pois as pessoas viciadas, prejudicam a convivência familiar, além de abandonar seus compromissos de estudo ou trabalho. Refletindo mais profundamente sobre esse transtorno, cheguei a duas conclusões: Observando a desenvoltura das crianças na manipulação dos equipamentos, entendi que deve haver uma necessidade inconsciente de tecer novas redes neuronais, de forma a permitir uma inovação das instituições rapidamente envelhecidas, e, ainda, o conteúdo programático e a forma com que é transmitido, não encanta as crianças. Outro caso no mínimo curioso que a expansão das redes sociais trouxe, é a necessidade de ser percebido, de fazer parte, leva algumas pessoas a produzirem selfies espetaculares, havendo com isso muitas tragédias.

A necessidade de ser percebido pertence a personalidade, ao ego, e essa necessidade é ilimitada, uma vez que as exigências egóicas nunca terminam porque sua identidade depende de objetos e valores. Platão falava no mundo das formas e mundo das ideias, no mesmo sentido a física identifica a energia como a criadora da matéria. Isso explica que desde a organização da Psicologia como uma ciência, Freud falou da identificação objetal, no mesmo sentido o Novo Testamento, em (Mateus 6:19-21) diz que “...onde estiver o vosso tesouro, aí estará teu coração.”  O fracasso nas relações amorosas; amizade e de família muitas vezes é o fracasso da percepção imaginativa. Quando não estamos olhando com os olhos do coração, pois tal qual a visão, a simpatia e o interesse se turvam. No nível do ego nossa visão é condicionada pelo nosso estado emocional. Basta nos aborrecermos que recorremos ao julgamento de detalhes sem muita importância. Não devemos esquecer Saint Exupéry, em O pequeno Príncipe: “...só se vê bem com o coração, o essencial é invisível para os olhos...”  É justamente sobre esses dois mundos que precisamos refletir. A personalidade se vale do cérebro cognitivo que acha muito poder em julgar e classificar tudo, destina-lhe um conceito; enquanto nossa alma, nossa parte mental que liga o espírito ao corpo, é apenas observadora, não estando interessada em julgamento e definições.

No mundo do ego não existe uma âncora emocional, uma vez que ambivalência predomina, estamos sempre no lado de “cima” ou de “baixo” em relação ao nosso humor. Podemos estar zangados ou indulgentes; intolerantes ou generosos; deprimidos ou entusiasmados; felizes ou tristes, enfim nossas emoções flutuam entre extremos, não temos muito controle sobre as consequências de nossas emoções, então fazemos julgamentos sobre elas e, na maioria das vezes, não interagimos com as emoções e as reprimimos, o que aumenta o “entulho” que nos leva à perda de contato com nós mesmos. A maioria de nosso tempo e recursos são gastos como o mundo exterior. É sempre muito importante o que outras pessoas pensam de nós. Nossa autoestima se torna dependente do julgamento dos outros que vivem de acordo com padrões de certo ou errado; em outras palavras, nos esforçamos ao máximo para ser o que não somos, para um mundo que não é o que aparenta. Dessa forma, se sempre nos esforçamos para exibir um padrão de ser gentis e agradáveis, estamos suprimindo nossa autenticidade agindo de acordo com um comportamento para ser reconhecido, por trás dessas atitudes está a necessidade de validação que é a causa principal de exibirmos padrões de comportamento. Estas são algumas características da vida administrada apenas pela personalidade.

A distinção entre o mundo do ego, consciente, gerido por padrões e mundo disruptivo do inconsciente e da alma é muito bem expresso por Jung no Livro Vermelho: “...durante o dia eu cuidava das coisas e das pessoas dessa época e a noite ia para o deserto e o deserto juntava em mim o sentido e o absurdo... Que dureza do destino!  Quando vos dirigis a vossa alma, ireis sentir falta de algo imediato de sentido. Acreditais que está aprendendo no sem sentido, no eterno desordenado. Tendes razão! Nada vos redime do desordenado e insensato, pois esta é a outra metade do mundo...” Precisamos nos afastar de qualquer conceito religioso ou popular de alma, uma vez que estamos considerando a “fisiologia psíquica”, sob o aspecto da Psicologia


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Autor: Osmar Santos
Fonte: Osmar Santos
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DR. OSMAR FRANCISCO DOS SANTOS

SOBRE O DR. OSMAR

Psicólogo junguiano transpessoal, fundador do Instituto Holístico do Saber, membro participante do Núcleo de Estudos Junguiano do Rio de Janeiro, experiente conhecedor da psique humana através da sua ampla atuação em psicologia clínica, individual, em grupos de formação e em grupos terapêuticos.

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